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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Livre arbítrio versus destino

"Profecia vs Livre-Arbítrio
Via de regra, eu não discuto religião. Primeiro, porque as pessoas têm posições ainda mais arraigadas a respeito do que em matéria de política. Segundo, porque afeta bem menos a vida de todos em geral. Converter ou desconverter meia dúzia de gatos pingados pode ser decisivo para estes, mas a sociedade como um todo quase certamente jamais sentirá os efeitos da crença ou descreça de alguns indivíduos. A menos que sejam eles muito relevantes, mas aí é outra história...
Via de regra, eu não discuto religião. Primeiro, porque as pessoas têm posições ainda mais arraigadas a respeito do que em matéria de política. Segundo, porque afeta bem menos a vida de todos em geral. Converter ou desconverter meia dúzia de gatos pingados pode ser decisivo para estes, mas a sociedade como um todo quase certamente jamais sentirá os efeitos da crença ou descreça de alguns indivíduos. A menos que sejam eles muito relevantes, mas aí é outra história...
Mas há algo que gosto de fazer de vez em quando: desafiar, para comigo mesmo, alguns conceitos religiosos. E um dos mais interessantes é o que toca a respeito do livre-arbítrio, peça fundamental para quase todas as religiões do mundo moderno, especialmente as monoteístas de cunho salvacionista. Em sua base, elas pregam que o ser humano é totalmente responsável pelo que faz, e por isso merece prêmio ou punição divina pelos atos que pratica.
Sem o livre-arbítrio, portanto, a dicotomia céu-inferno simplesmente não faz sentido, e dinamitados estão os pilares fundamentais dos grandes monoteísmos. Num extremo, nem mesmo diferenciar o Bem do Mal faz sentido, já que as coisas não são boas ou más: são o que são porque não podiam ser de outra forma, estavam destinadas àquilo.No entanto, aspecto curioso, essas mesmas religiões que pregam a liberdade do homem e responsabilidade individual são recheadas de profecias, ou seja, predições do futuro.
E aí eu pergunto: a profecia não é uma violação gritante do livre-arbítrio? Ora, se algo pode se previsto é porque não podia ser mudado, aconteceria inexoravelmente daquela forma. E essa obrigatoriedade destrói qualquer idéia de liberdade: mesmo que tentemos evitar, não conseguiremos. O teatro e as epopéias gregas estão recheadas desse conceito estrito de destino: os personagens que tentam fugir dele terminam por ir-lhe ao encontro, como bem mostram Édipo-Rei e a Ilíada, dentre outras.
Há quem diga que as profecias não são destino, são apenas uma predição com base na análise da realidade. Gostaria de lhes avisar que isso tem outro nome: cálculo de probabilidades. Com base na observação empírica se faz uma estimativa da possibilidade de tal evento ocorrer ou não, de acordo com as leis que governam o sistema em estudo. As profecias dos livros sagrados não têm nenhum desses elementos: não demonstram o raciocínio e a metodologia empregadas para chegar à conclusão; os profetas dos livros sagrados não fazem suas profecias após longas elucubrações lógicas: geralmente elas lhes são reveladas em transes e momentos sobrenaturais de contato com a divindade, e os trechos sempre enfatizam que a profecia não é mérito do profeta, ao contrário do cientista que calcula probabilidades. São dádivas concedidas pela divindade, pois “apenas elas conhecem o futuro”, ou “o futuro a Deus pertence”.Essa última frase torna compreensível o porquê do conceito calvinista da predestinação se tornou tão popular: se Deus conhece o futuro, nós não podemos fazer nada para mudá-lo; ele será como Deus sabe que ele é.
Se Deus já conhece nosso futuro, significa dizer que nada do que façamos vai mudá-lo: estamos, quais Édipos modernos, condenados à sorte que nos foi pré-estabelecida. A essa altura, o conceito de livre-arbítrio e responsabilidade individual foi para a cucuia.
Daí migrarmos para outro pensamento, radicalmente oposto, expressado na frase de Sartre que se tornou epíteto do Existencialismo: “a humanidade está condenada a ser livre”. Sem Deus onisciente para conhecer nosso futuro, resta-nos a tarefa de fazê-lo por nós mesmos, totalmente sem ajuda. Se não há desígnios inteligentes controlando o mundo, tudo que nós fazemos diz respeito somente a nós, daí a liberdade estar inapelavelmente ligada à responsabilidade.
Somos os únicos responsáveis por nossos atos.Um fundamentalista respondeu às minhas colocações contando a seguinte anedota, que, segundo ele, prova que é possível conciliar a onisciência com o livre-arbítrio: “você vê um cego ao longe, caminhando rumo ao precipício. Você sabe que ele vai cair, mas ainda assim você grita, avisando-o do perigo iminente”. O raciocínio, obviamente, é ridículo: se eu grito para o cego, é porque tenho esperança de que ele me escute e corrija a trajetória; ou seja, como não conheço o futuro, tento mudar o curso do acontecimento, fazendo com que o cego saia da trajetória perigosa. Se eu sou perfeitamente onisciente e sei que ele vai cair, para que gritar? Se sei que meu grito será em vão...Em seguida ele emendou a história e conseguiu torná-la ainda mais caricata: “imagine que o sujeito, além de cego, é sudo”. Bom, nesse caso eu sei que nada posso fazer por ele. Então, se por um lado sou onisciente, por outro sou completamente impotente; tenho plena consciência de que nada que eu faça vai mudar aquela situação. Recaímos no conceito de destino, mais uma vez.
Mais do que qualquer leitura ou revolta, o que me fez abandonar a crença em deus foi exatamente essa flagrante contradição. Percebi que um Deus onisciente me torna uma simples marionete na mão de seus desígnios (sendo que ele nem mesmo controle sobre eles tem. Afinal, quem conhece o futuro é totalmente impotente para mudá-lo, a não ser que seja a ele permitido violar a própria onisciência em nome da onipotência), e que um mundo sem a divindade onisciente-onipotente significaria a total liberdade, e que esta se encontra atrelada à responsabilidade.
Tudo que eu fizer recairá sobre mim, e, portanto, devo tomar muito cuidado com tudo aquilo que faço, porque sei que os demais também têm essa mesma liberdade. Daí a necessidade de se fazer leis para disciplinar interesses conflitantes. Afinal, se Deus existe e nos pune pelos nossos atos, para quê se fazer a justiça na vida terrena? Deixemos tudo para acertar na outra vida. Assim como a qualquer pessoa de bom senso é absurdo alguém ser punido duas vezes pela mesma falta.
posted by João Philippe @ 12:10 AM"
posted by João Philippe @ 12:10 AM"
Tomei a liberdade de transcrever o texto do autor na integra para postar aqui minhas observações e apontamentos.
Tudo o que levei horas estudando, João Philippe condensou em palavras bem articuladas e cheias de propriedade em seu Blog do Cético .
Mas há muitas questões que ficaram de fora. O maniqueísmo ou dicotomia bem/mal não se resume a “ser ou não ser”.
Existe todo um tratado sobre o limite.
Coisa que até os físicos buscam entender. Por exemplo a questão das cores. "Todos" pensam que são limitadas. Mas nós é que não temos órgãos sensoriais suficientes para abranger a quase infinitude de suas possibilidade.
Somos limitados no conhecimento e nos instrumentos para atingi-lo.
Fé é algo que transcende a ciência.
A Bíblia realmente é contraditória. Mas, se Deus seguisse as leis que usou para criar o universo não seria onipotente. O absurdo só existe para nossos limites, não para a infinitude do criador.
O ceticismo condiz muito mais com a existência de um ser supremo que a própria religião. Vez que o criador exige do ser racional: equilíbrio, propósito e busca da verdade.
Os religiosos por vezes conclamam os fiéis a agirem com racionalidade, principalmente no tocante a seus interesses doutrinários.
Por outro lado, usam o argumento da fé para justificar contradições e absurdos da religião.
Palavras como equilíbrio, ordem, limite, lógica só fazem sentido no mundo criado. Não servem a um mundo criador.
Ou seja, O Criador está à parte de todas estas questões, pois está acima das leis que estabeleceu para a criatura.
Os mortais definem o que acham justo e injusto. Mas não podem querer que o Criador curve-se a uma justiça feita debaixo da ignorância do “além criação”.
A Bíblia e a religião são contraditórias para a ciência humana, mas será que são contraditórias para a ciência do Criador?
Ademais, a questão do destino tem duas vertentes: o individual e trivial, e o coletivo e substancial.
Os gregos, bem mencionados no texto, acreditavam num destino coletivo e substancial.
Os cristão crêem num destino individual e trivial. Alguns estudioso chegam a afirmar que os cristão negam o destino. Todos têm livre arbítrio. Porém a doutrina neo-testamentária nega tal postura, o que se vê na afirmação de Paulo: não sou eu que vivo, mas cristo vive em mim.
O destino pressupõe três coisas: propósito, eventos, trajetória.
O propósito pode ser compreendido como a meta ou objetivo estabelecido por uma lei imutável. Tudo converge para ele. E não importam os desvios sempre o resultado será a confirmação do prognóstico, profecia promessa.
Evento corresponde aos acontecimentos no percurso. Encontros, desencontros, coincidências, incidentes, acidentes, acasos etc.
Já a trajetória está mais para justificar o livre arbítrio que qualquer outro argumento. Tratasse do caminho ou linha de travessia do percurso. É a estrada por onde o indivíduo ou a comunidade trafega. Lembra uma linha como dois pontos: partida e chegada.
Nesta simbologia o livre arbítrio está mais para escolhas mínimas dentro de um plano maior. Não importa qual caminho se escolha, o resultado será sempre o mesmo. As escolhas são coisas pontuais, enquanto que o caminho é todo um processo complexo, longo e rico de possibilidades.
A gota d’água pode chegar ao chão por vários trajetos – retas, curvas, ambos - e em vários estados – líquido, sólido, misto – mas atingirá o solo. E mesmo que no trajeto evapore, tornará a fazer o percurso cedo ou tarde.
As possibilidades são o livre-arbítrio. O destino é o solo.
As possibilidades são o livre-arbítrio. O destino é o solo.
Os eventos geram novas possibilidade e trajetórias, mas não impedem o propósito.
Este raciocínio simbológico não é obrigatoriamente razoável. Mas demonstra que a visão muda a compreensão que se tem de um fato. A ignorância causada pelos limites da ciência cria falsas impressões sobre a verdade, o tradicional silogismo.
domingo, 23 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
deus existe?
"O insensato diz no seu coração: 'Não há Deus" (Sl. 13,1)
Esta insensatez é por muitos tomada como uma verdade. Antes de mais nada isso ocorre por não quererem admitir a existência de Deus, por não quererem admitir que seus pecados são vistos e contados por Aquele que os fez. Para quem não aceita a Deus, nada provaria a Sua existência. Quem vive na mentira foge da Verdade, e fecha os olhos para todas as evidências.Deus existe, e podemos prová-lo.
Podemos prová-lo pelo próprio fato de existir movimento e transformação.
Uma coisa não se transforma nem se move sozinha, sem que algo aja nela. Uma madeira que se transforma em carvão precisa do fogo, e uma bola que voa precisa do chute do jogador.Ora, para que haja o fogo, é necessário que algo o tenha acendido, e para que algo o possa ter acendido, é preciso que haja outra coisa anterior que tenha feito com que saísse de sua inércia. Do mesmo modo para que o jogador se mova algo precisa tê-lo feito mover-se, e algo deve ter movido o que fez o jogador mover-se, e por aí vai.
Ora, isso não pode continuar ao infinito, pois sempre é necessário que haja algo que mova ou transforme o que move ou transforma uma coisa; é portanto necessário que haja Alguém que move mas não é movido.Este alguém é Deus.
Podemos prová-lo pelo fato de cada coisa ser causada por outra.
É impossível que um acontecimento no futuro cause uma coisa no passado; a chuva não pode cair sem que as nuvens tenham sido formadas pela evaporação do mar, e o mar não pode ser evaporado sem o calor do sol, etc. Seria impossível que a chuva caia antes que a nuvem tenha sido formada, e a nuvem não pode ter sido formada sem haver o sol, etc. Ora, é necessário que haja algo que causou sem ser causado. O filósofo grego Sócrates chamava a Deus "Causa das causas". A própria teoria científica do Big-Bang exige que haja Alguém, anterior à existência de tudo o mais, que tenha causado esta súbita expansão de todo o universo.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pelo fato de que as coisas que existem não existiram em algum momento no passado e deixarão de existir em outro momento do futuro.
Todas as coisas que vemos ao nosso redor são coisas passageiras; até mesmo as montanhas, tão altas e firmes, são abaladas pela erosão e, em muitos casos, já foram parte do leito do mar. Assim, como cada coisa que vemos, como cada ser, vivo ou não, que existe pode ser ou não ser (em algum momento ele não existiu, sendo depois criado), é possível que em algum momento nada, absolutamente nada, tenha existido. Ora, para que algo passasse a existir, seria necessário que houvesse algo que fizesse com que ele passasse a existir. Cada ser precisa de outro ser, anterior a ele, que possa ter-lhe dado existência. Se em algum momento não houvesse ser algum, nada haveria hoje. É necessário que haja um Ser que É (Ex. 3,14), Alguém que existe sem que ninguém tenha lhe feito existir.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pela gradação que encontramos nas criaturas.
São Paulo já nos lembra disso em Rm 1,20: Há coisas que são mais belas que outras, mais justas que outras, melhores que outras. Ora, "mais belo", "mais justo", "melhor" são palavras que dizem respeito a quanto essas coisas se aproximam do máximo em beleza, em justiça, em bem. O que é o máximo em uma coisa é a causa dessa coisa. O máximo em calor é a causa do calor menor que o rodeia, por exemplo. Assim é necessário que haja Alguém que é o máximo em Bem, em Justiça, em Beleza.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pela ordem e funcionamento do mundo.
A Segunda Lei da Termodinâmica, chamada "Lei da Entropia", nos assegura que um sistema fechado, como o é o universo, tende à desordem; suas transformações tendem a assumir forma cada vez mais desordenada, acabando por transformar-se em puro calor, que é a forma de energia mais desordenada que há.
Ora, o mundo não é desordenado, longe disso. O ciclo da água, por exemplo, é algo extremamente complexo e que depende de uma quantidade enorme de fatores para que se mantenha funcionando: a gravidade exata, a temperatura correta, a pressão atmosférica precisa... Do mesmo modo qualquer outro mecanismo ecológico precisa de um ajuste extremamente fino para que possa continuar operando. Uma pequeníssima diferença na gravidade da terra ou em sua temperatura tornariam a vida em nosso planeta impossível. Ora, mas esta diferença não existe. O planeta, o universo inteiro, mantém-se em ordem, com uma extraordinária interdependência entre todas as coisas, vivas ou não. Isto faz presumir uma ordem concebida por uma inteligência muito acima da nossa.
Cada animalzinho irracional age de acordo com esta ordem, fazendo parte de seu nicho ecológico, que por sua vez faz parte do ecossistema da Terra, que por sua vez faz parte de toda uma ordem presente no delicado equilíbrio dos corpos celestes. Isto tudo tende a um fim e é concebido para funcionar de modo adequado em vistas a esse fim.
O célebre exemplo da máquina fotográfica na Lua cabe bem aqui: se os primeiros astronautas encontrassem uma máquina fotográfica na Lua tirando fotos deles, será que eles achariam que ela se formou sozinha devido aos fenômenos naturais da superfície daquele satélite ou chegariam à conclusão lógica de que algo tão complexo quanto uma máquina fotográfica em pleno funcionamento só poderia ter sido feito por um ser inteligente? Evidentemente que chegariam à conclusão evidente de que alguém fez aquela máquina e a deixou lá.
Podemos aplicar o mesmo raciocínio ao universo: em sua complexidade, ele não pode ser devido ao acaso, e é necessário que Alguém muitíssimo mais inteligente que nós o tenha feito e o governe de modo a manter o seu equilíbrio e direcionamento rumo a seu fim.Este Alguém é Deus.
Alguns poderiam perguntar: mas se há Deus, como pode haver mal no mundo? Se Deus é o bem infinito, não pode haver mal.
Disse Santo Agostinho: "Como Deus é o Bem Supremo, Ele não permitiria que nenhum mal existisse em Suas obras, a não ser que Sua onipotência e bondade fossem tais que desse mal tirassem o bem". E isto é verdade. Não há mal de que não possa vir bem. Por outro lado, poderíamos reverter a pergunta, e perguntar como poderia existir bem sem existir Deus. O bem, podemos facilmente observar, predomina. A temperatura do planeta não sofre oscilações assassinas, os ecossistemas funcionam, as crianças nascem e crescem, em sua imensa maioria sem problemas graves... O mal existe, mas não é de modo algum o que domina o universo. Além disso, como Sto. Agostinho já observou, do mal é freqüente que saia o bem. O homem tem capacidade de fazer o mal, e mais ainda, tem tendência a fazer o mal. Nem todos os homens passam o tempo todo a fazer o mal, entretanto. Até mesmo os piores assassinos fazem vez por outra algum bem. Como poderia ser isso se não houvesse Deus, se não houvesse Aquele que é o Bem em Si? Como o homem, sem Deus, poderia jamais fazer qualquer coisa de bom, quando vemos que sua natureza tende para o mal?
A quem acredita em Deus cabe mostrar que do mal pode sair o bem. A quem não acredita, cabe explicar como poderia haver um universo, e neste universo haver o bem, sem Deus. E isso é impossível. Autor: Carlos Ramalhete
Esta insensatez é por muitos tomada como uma verdade. Antes de mais nada isso ocorre por não quererem admitir a existência de Deus, por não quererem admitir que seus pecados são vistos e contados por Aquele que os fez. Para quem não aceita a Deus, nada provaria a Sua existência. Quem vive na mentira foge da Verdade, e fecha os olhos para todas as evidências.Deus existe, e podemos prová-lo.
Podemos prová-lo pelo próprio fato de existir movimento e transformação.
Uma coisa não se transforma nem se move sozinha, sem que algo aja nela. Uma madeira que se transforma em carvão precisa do fogo, e uma bola que voa precisa do chute do jogador.Ora, para que haja o fogo, é necessário que algo o tenha acendido, e para que algo o possa ter acendido, é preciso que haja outra coisa anterior que tenha feito com que saísse de sua inércia. Do mesmo modo para que o jogador se mova algo precisa tê-lo feito mover-se, e algo deve ter movido o que fez o jogador mover-se, e por aí vai.
Ora, isso não pode continuar ao infinito, pois sempre é necessário que haja algo que mova ou transforme o que move ou transforma uma coisa; é portanto necessário que haja Alguém que move mas não é movido.Este alguém é Deus.
Podemos prová-lo pelo fato de cada coisa ser causada por outra.
É impossível que um acontecimento no futuro cause uma coisa no passado; a chuva não pode cair sem que as nuvens tenham sido formadas pela evaporação do mar, e o mar não pode ser evaporado sem o calor do sol, etc. Seria impossível que a chuva caia antes que a nuvem tenha sido formada, e a nuvem não pode ter sido formada sem haver o sol, etc. Ora, é necessário que haja algo que causou sem ser causado. O filósofo grego Sócrates chamava a Deus "Causa das causas". A própria teoria científica do Big-Bang exige que haja Alguém, anterior à existência de tudo o mais, que tenha causado esta súbita expansão de todo o universo.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pelo fato de que as coisas que existem não existiram em algum momento no passado e deixarão de existir em outro momento do futuro.
Todas as coisas que vemos ao nosso redor são coisas passageiras; até mesmo as montanhas, tão altas e firmes, são abaladas pela erosão e, em muitos casos, já foram parte do leito do mar. Assim, como cada coisa que vemos, como cada ser, vivo ou não, que existe pode ser ou não ser (em algum momento ele não existiu, sendo depois criado), é possível que em algum momento nada, absolutamente nada, tenha existido. Ora, para que algo passasse a existir, seria necessário que houvesse algo que fizesse com que ele passasse a existir. Cada ser precisa de outro ser, anterior a ele, que possa ter-lhe dado existência. Se em algum momento não houvesse ser algum, nada haveria hoje. É necessário que haja um Ser que É (Ex. 3,14), Alguém que existe sem que ninguém tenha lhe feito existir.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pela gradação que encontramos nas criaturas.
São Paulo já nos lembra disso em Rm 1,20: Há coisas que são mais belas que outras, mais justas que outras, melhores que outras. Ora, "mais belo", "mais justo", "melhor" são palavras que dizem respeito a quanto essas coisas se aproximam do máximo em beleza, em justiça, em bem. O que é o máximo em uma coisa é a causa dessa coisa. O máximo em calor é a causa do calor menor que o rodeia, por exemplo. Assim é necessário que haja Alguém que é o máximo em Bem, em Justiça, em Beleza.Este Alguém é Deus.
Podemos prová-lo pela ordem e funcionamento do mundo.
A Segunda Lei da Termodinâmica, chamada "Lei da Entropia", nos assegura que um sistema fechado, como o é o universo, tende à desordem; suas transformações tendem a assumir forma cada vez mais desordenada, acabando por transformar-se em puro calor, que é a forma de energia mais desordenada que há.
Ora, o mundo não é desordenado, longe disso. O ciclo da água, por exemplo, é algo extremamente complexo e que depende de uma quantidade enorme de fatores para que se mantenha funcionando: a gravidade exata, a temperatura correta, a pressão atmosférica precisa... Do mesmo modo qualquer outro mecanismo ecológico precisa de um ajuste extremamente fino para que possa continuar operando. Uma pequeníssima diferença na gravidade da terra ou em sua temperatura tornariam a vida em nosso planeta impossível. Ora, mas esta diferença não existe. O planeta, o universo inteiro, mantém-se em ordem, com uma extraordinária interdependência entre todas as coisas, vivas ou não. Isto faz presumir uma ordem concebida por uma inteligência muito acima da nossa.
Cada animalzinho irracional age de acordo com esta ordem, fazendo parte de seu nicho ecológico, que por sua vez faz parte do ecossistema da Terra, que por sua vez faz parte de toda uma ordem presente no delicado equilíbrio dos corpos celestes. Isto tudo tende a um fim e é concebido para funcionar de modo adequado em vistas a esse fim.
O célebre exemplo da máquina fotográfica na Lua cabe bem aqui: se os primeiros astronautas encontrassem uma máquina fotográfica na Lua tirando fotos deles, será que eles achariam que ela se formou sozinha devido aos fenômenos naturais da superfície daquele satélite ou chegariam à conclusão lógica de que algo tão complexo quanto uma máquina fotográfica em pleno funcionamento só poderia ter sido feito por um ser inteligente? Evidentemente que chegariam à conclusão evidente de que alguém fez aquela máquina e a deixou lá.
Podemos aplicar o mesmo raciocínio ao universo: em sua complexidade, ele não pode ser devido ao acaso, e é necessário que Alguém muitíssimo mais inteligente que nós o tenha feito e o governe de modo a manter o seu equilíbrio e direcionamento rumo a seu fim.Este Alguém é Deus.
Alguns poderiam perguntar: mas se há Deus, como pode haver mal no mundo? Se Deus é o bem infinito, não pode haver mal.
Disse Santo Agostinho: "Como Deus é o Bem Supremo, Ele não permitiria que nenhum mal existisse em Suas obras, a não ser que Sua onipotência e bondade fossem tais que desse mal tirassem o bem". E isto é verdade. Não há mal de que não possa vir bem. Por outro lado, poderíamos reverter a pergunta, e perguntar como poderia existir bem sem existir Deus. O bem, podemos facilmente observar, predomina. A temperatura do planeta não sofre oscilações assassinas, os ecossistemas funcionam, as crianças nascem e crescem, em sua imensa maioria sem problemas graves... O mal existe, mas não é de modo algum o que domina o universo. Além disso, como Sto. Agostinho já observou, do mal é freqüente que saia o bem. O homem tem capacidade de fazer o mal, e mais ainda, tem tendência a fazer o mal. Nem todos os homens passam o tempo todo a fazer o mal, entretanto. Até mesmo os piores assassinos fazem vez por outra algum bem. Como poderia ser isso se não houvesse Deus, se não houvesse Aquele que é o Bem em Si? Como o homem, sem Deus, poderia jamais fazer qualquer coisa de bom, quando vemos que sua natureza tende para o mal?
A quem acredita em Deus cabe mostrar que do mal pode sair o bem. A quem não acredita, cabe explicar como poderia haver um universo, e neste universo haver o bem, sem Deus. E isso é impossível. Autor: Carlos Ramalhete
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